Flávio Bolsonaro quer escolher o juiz, mas não quer enfrentar a Justiça?

Flávio Bolsonaro poderia ter permanecido no Brasil, enfrentado as investigações, apresentado sua defesa e, dependendo das conclusões da Justiça, seguido sua vida política.

Mas escolheu outro caminho.

Fugiu o país apesar de uma ordem judicial que o proibia de sair, buscou abrigo político nos Estados Unidos, sob a proteção de Donald Trump, e agora seus advogados querem afastar Alexandre de Moraes da investigação.

É uma contradição impressionante: não permanece no país para responder à Justiça, mas, do exterior, tenta mudar o magistrado responsável pelo seu caso.

Imagine se todos os criminais do Brasil faziam o mesmo?

Enquanto isso, até aliados políticos no Brasil se distanciam de sua contestação do resultado eleitoral e do seu refúgio nos Estados Unidos.

E há uma questão ainda maior: desde quando os interesses do Brasil devem ficar subordinados aos interesses políticos de Donald Trump? Qual é a loucura dentro da cabeça deste homem? A curto prazo vai lamber as botas do Trump em troca de dinheiro que a maioria dos Brasileiros nunca vão ver a cor. Brasil tem que investir em soberania e não em vassalagem em relação aos EUA.

Flávio tem todo o direito de se defender, inclusive de questionar judicialmente a imparcialidade de um magistrado. Mas esse direito não elimina a obrigação de respeitar as decisões judiciais.

A democracia não é um sistema em que se aceita o resultado das urnas apenas quando se vence, nem em que se escolhe qual juiz deve nos investigar.

O Estado de Direito vale para todos. Inclusive é sobretudo para os Bolsonaro.

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